Portugues do Brasil

Olá,

No dia 9 de maio passado eu havia enviado a mensagem abaixo relatando a confissão de fraude de compra de votos na Cidade de Praia Grande-SP.

O resumo do caso era o seguinte:

José Sales (ex-PDT), denunciante e réu confesso, depôs perante o Ministério Público e disse que chefiara uma equipe de 40 "coordenadores" para a compra de votos para o candidato a prefeito (eleito) Roberto Francisco Santos (PSDB) e para o candidato a vereador André Yamauti (PPS). Os tais "coordenadores" é que arrebanhavam os eleitores que aceitavam vender o voto por R$ 50,00.

Eis os novos desdobramentos do caso:

1- José Sales pediu desfiliação do PDT alegando que o crime eleitoral que praticou era de sua responsabilidade e não do partido.

2- O acusados vinham sistematicamente negando os fatos denunciados;

3- A Polícia Federal começou a investigar e chegou aos "coordenadores" e até a alguns eleitores.

4- Dia 14 de maio, José Sales voltou a depor para o MP e apresentou duas gravações em vídeo como prova.

5- No mesmo dia, a PF estava fechando o cerco em torno do candidato a vereador Yamauti até que ele também confessou e, valendo-se da "delação premiada", envolveu diretamente o prefeito eleito, Roberto Santos, e o ex-prefeito Alberto Mourão (PSDB) na fraude.

Agora a parte que mais interessa ao pessoal daqui do Fórum do Voto-e que é a gênese e a análise de como a fraude (compra de voto) na Praia Grande era feita.

Não existem estastíticas oficiais, mas as formas mais comuns de fraude eleitoral por meio "eleitores falsos" eram: o voto do mesário, a compra de votos e o cadastro de "eleitores-fantasmas".

Outras formas, como a compra da abstenção e o eleitor que usava título de falecidos, também existiam mas eram pouco abrangentes.

A forma compra de votos mais comum consiste em pagar ao eleitor e reter seu título eleitoral para, no dia da eleição, enviar alguém de confiança para votar no lugar do eleitor.

Esta modalidade de fraude cresceu muito e finalmente em 2005 o TSE, que até então negava a possibilidade de qualquer tipo de fraude em urnas eletrônicas, reconheceu publicamente a gravidade do problema e colocou sua equipe técnica para avaliar a questão.

O pessoal da informática do TSE sempre foi defensor do uso de caras tecnologias como meio de acabar com fraudes, aquilo que chamamos de seita do Santo Baite que prega a supremacia das soluções tecnológicas para problemas de segurança.

Tanto alerdeavam que convenceram, durante anos, juízes, eleitores, imprensa e MP, que suas urnas-e eram invioláveis.

Como não podia deixar de ser, a solução proposta pelo pessoal da informática do TSE para o problema do eleitor ilegítimo foi: gastar mais ainda com TI e implantar a indentificação biométrica do eleitor nas próprias urnas eletrônicas.

Primeiro eles diziam que bastaria acoplar um barato leitor de digitais nas urnas existentes e até abriram uma licitação para avaliar o custo desta adaptação. Em 2008 compraram 60 mil novas urnas, já incluindoo sensor biométrico, e testaram umas 200 delas em 3 cidades durante a eleição.

Descobriram que a adaptação das urnas antigas não ia funcionar e, em março de 2009, convenceram o presidente do TSE ir até o presidente da República para solicitar verba para compra de 500 mil novas urnas biométricas. A licitação para a compra das primeiras 100 mil já foi aberta recentemente.

Nesta altura, vocês devem estar perguntando: o que isto tem a ver com a fraude confessada da Paia Grande? Principalmente porque lá não foram usadas urnas biométricas.

É simples, na Praia Grande foi usado um novo método de fraude de compra de voto, já "aperfeiçoado" para vencer as urnas biométricas, que é a compra de votos por filmagem do voto.

Em vez de se reter o título do eleitor, simplesmente se entrega um telefone celular com câmara ou uma caneta filmadora ao eleitor e manda ele filmar o tela da urna durante o voto. É assim que foi feito na Praia Grande.

Vejam em:
http://www.youtube.com/watch?v=4WurfF1mCmo
uma dessas gravações, com som, que o eleitor fez para comprovar o seu voto nos candidatos André Yamauti (vereador) e Roberto Francisco (prefeito) na eleição de 2008.

É certo que o uso de telefone celulares nas seções eleitorais era proibido por uma resolução do TSE, mas é mais que sabido que proibir fraudes eleitorais nunca impediu tais fraudes.

Além disso, o uso de canetas com filmadora não era proibida e estas câmaras estão sendo vendidas por R$ 100,00 na Internet. Procurem por "caneta filmadora" ou por "caneta espiã" no Google.

Como disse Bruce Schneier (premiado criptógrafo e autor dos maiores best-sellers sobre segurança de dados):

"Se você acredita que a tecnologia pode resolver seus problemas de segurança, então você não conhece os problemas e nem a tecnologia."

Os geniais técnicos do TSE convenceram os ministros a gastarem alguns bilhões (o custo total da biometria eleitoral, incluindo o cadastro sem duplicidade, nem mesmo foi estimado pelo TSE) para criar uma defesa tecnológica contra fraude que este caso confesso da Praia Grande demonstrou já estar sendo burlada com custo tecnológico ínfimo.

Um detalhe, assim como occorre com a compra de voto, as fraudes do mesário e da compra de abstenção também continuarão ocorrendo com as novas urnas biométricas sem maiores dificuldades.

Somente os eleitores que usavam o título de parentes falecidos (uma fraude insignificante em quantidade perante as outras) é que os bilhões de reais das urnas biométricas irão impedir.

Fiquei sabendo que o candidato Yamauti, agora também réu confesso, apresentou uma nota pública. Vou atrás desta carta e divulgo aqui assim que obtê-la.

[ ]s
Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
www.votoseguro.org
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SEI EM QUEM VOTEI,
ELES TAMBÉM,
MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO

English

Hello,

On May 9th, I sent the message below reporting the confession of fraud from buying votes in the city of Praia Grande-SP (Brazil).

The summary of the case was as follows:

José Sales (formerly of the PDT party), complainant and confessed defendant, testified before the prosecution and said he led a team of 40 "coordinators" for buying votes for the candidate for mayor (elected) Roberto Francisco Santos (PSDB party) and the candidate for alderman André Yamauti (PPS party). Those "coordinators" were to convince voters to accept selling their vote for $R 50 (brazilian currency, equivalent to US$ 25).

Here are the new developments of the case:

1 - Jose Sales resigned from the PDT Party, claiming that the crime that was committed was his responsibility and not of the party.

2 - The defendants systematically denied the facts alleged;

3 - The Federal Police began to investigate and eventually reached the "coordinators" and also some voters.

4 - On the 14th of May, José Sales testified again to the prosecution and made two recordings on video as proof.

5 - On the same day, the Federal Police were closing the siege around the candidate for alderman Yamauti, until he confessed and, drawing on the "bargaining rights", involving the directly elected mayor, Roberto Santos, and former mayor Alberto Mourão (PSDB party) in the fraud.

Now the part that matters most to this e-voting Forum is the genesis and the analysis of how the fraud (vote buying) in Praia Grande was done.

There are no official statístics, but the most common forms of electoral fraud by "fake voters" were: voting by the Clerk, buying votes and the registration of "ghost-voters."

Other forms, such as the purchase of voter abstention and for the one who votes using deceased people ID card, also existed but were not extensive.

The most common form of purchase of votes is to pay the voter and retain their voter ID card; on election day send someone trusted to vote in place of the real voter.

This type of fraud has grown a lot and finally in 2005 the TSE (the federal Supreme Electoral Court, responsible for conducting elections in Brazil) , which until then denied the possibility of any fraud in electronic voting machines, has publicly acknowledged the seriousness of the problem and put their technical team to assess the issue.

The IT staff of the TSE has always advocated the use of expensive technology as a means to end the fraud, what we used to call the "Holy Byte Sect" that preaches the supremacy of technological solutions for security problems.

They showed off so loudly that they convinced, for years, judges, voters, the media and the prosecution, that their electronic ballot boxes were inviolable.

Of course, the solution proposed by the IT staff of the TSE to the problem of illegal voters was: spend more in IT and deploy the biometric identification of voters in their electronic ballot machines.

First they said it was just a matter of attaching an inexpensive finger print reader, on the existing electronic ballot boxes and even launched a bid to assess the cost of adaptation. In 2008 they bought 60,000 new electronic ballot boxes including a biometric sensor, and tested some 200 of them in 3 cities during the election.

They found out that the adaptation of the old electronic ballot boxes would not work and, in March 2009, they convinced the president of the TSE to demand funds of the President of the Republic to purchase 500,000 new biometric ballot boxes. The bidding for the purchase of the first 100,000 has been recently opened.

At this point, you should be asking: what this has to do with the fraud confessed in Praia Grande? Mainly because there, biometric ballot boxes were not used.

It's simple, in Praia Grande a new method for the purchase of voting fraud was used, already "improved" to defeat the biometric ballot boxes -- the buying of votes by video-taping of the voting.

Instead of retaining the voters' ID card, they simply deliver a mobile phone with a camera or a mini pen camcorder, and tell the voter to shoot the screen of the voting machine during voting. Thus was done in Praia Grande.

Look at: http://www.youtube.com/watch?v=4WurfF1mCmo one of these recordings, with sound, shot by a voter to prove he had voted for candidate Andrew Yamauti (alderman) and Roberto Francisco (mayor) in the election of 2008.

It is true that the use of cellular phone in the election pollsites was prohibited by a resolution of the TSE, but it is well known that just laws to prevent electoral fraud, never prevented such fraud.

Furthermore, the use of pens with camcorder and was not banned, and these cameras are being sold for U.S.$50.00 on the Internet. Just search for "pen camcorder" or "spy pen" on Google.

As Bruce Schneier (winning cryptographer and author of the biggest best-sellers on data security) said: "If you believe that technology can solve your security problems, then you don't know the problems and not even the technology."

The brilliant technicians of the TSE convinced ministers to spend a few billion (the total cost of electoral biometrics, including the voters register without duplicity, has not been estimated yet by the TSE) to create a technological defense against fraud that this confessed case of Praia Grande has already proved can be defeated at minimal technology cost.

One detail, as well as with the purchase of votes,-- the clerk's fraud and the purchase of abstention will also continue to occur with the new biometric ballot boxes, without major difficulties.

Only the fraud of voters who used the ID card of deceased relatives (an insignificant number, compared to the other frauds) will be eliminated by the billions of U.S. dollars to be spent on the biometric ballot boxes.

I learned that the candidate Yamauti now also a confessed defendant, made a public statement. I'm looking for it, and I will disclose it as soon as I get it.

Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
www.votoseguro.org
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I KNOW WHO I VOTED FOR;
THEY DO, TOO;
BUT ONLY THEY KNOW WHO RECEIVED MY VOTE